A dúvida é mais útil que a certeza



Talvez um dos aspectos mais singulares da corrida de aventura seja o desconforto aparente que ela gera. Quando estamos competindo, especialmente por uma ou mais noites, a sujeira, o suor, a chuva, o frio e o calor nos lembram que estamos num ambiente outdoor. Uma cama de terra, um abrigo de pedras e um cobertor de plástico ou de companheiros de equipe definem as curtas duas horas de sono a cada noite.

Mas por mais que isso pareça desconfortável, poder dormir quando mais se precisa, esticar o corpo depois de um dia inteiro caminhando e ainda ter companhia para se esquentar traz uma sensação única de tranquilidade. Levantar pode ser muito difícil, mas seus parceiros, determinados a seguir, vão preencher essa lacuna de incerteza e rapidamente todos estarão de volta à ativa.


            Enquanto não deitamos, estamos em constante movimento. Pensamos quando pedalamos, definimos estratégias remando e comemos caminhando. A energia que sai põe a prova a energia que entra. Comer passa a ser somente necessidade e portanto, a refeição mais esperada do dia poderá ser uma lata de atum com biscoito salgado ou um pacote de comida liofilizada fria.

            A cada hora colocamos algo dentro do organismo, carregamos uma super variedade de comidinhas e besteirinhas que engordam e são uma delícia, mas só podemos comer quando estamos competindo. Quer coisa melhor do que não ter que se policiar com o que comer? Pé de moleque, bananinha, jujuba, biscoito doce e salgado, castanhas, azeitonas são algumas das minhas opções e quando canso delas simplesmente troco com meus parceiros ou dividimos algo. Quando estamos lá no meio do nada, pego sem que meus companheiros vejam meu pacote de frango teriaki com arroz liofilizado, coloco a água do saco de hidratação, fecho e alojo próximo ao meu corpo por quase uma hora, tentando aquecê-lo até que a comida amoleça e esteja pronta. Espero o momento ideal... E de repente tiro aquela super refeição para saborear com eles! Todos ficam de barriga cheia, satisfeitos e o japonês sai por minha conta!    

            Quanto desconforto você pode tolerar?

            No dia a dia baseamos nossas escolhas, até mesmo inconscientemente, no que sabemos e no que é seguro para nós. Colocamos barreiras na nossa cabeça e com isso limitamos nossa capacidade. Nos sabotamos colocando o ego a frente de nossa evolução. Mas encarar uma corrida de aventura significa o oposto disso. Um corredor de aventura está acostumado a viver fora da "zona de conforto". Preparar-se para o stress, para o desconforto e para viver o inesperado o fará resolver as piores situações da melhor forma, entender que para todo o problema existe uma solução respeitosa e que irá beneficiar a todos. E o mais importante, o corredor de aventura não tem medo de errar, pois sabe que a sua maior recompensa é o seu aprendizado.

            Ao final de uma competição, voltamos à realidade do dia a dia e após toda essa bagagem adquirida, valorizamos cada movimento trivial, cada refeição, cada sono. Poder ir ao banheiro e tomar um banho quente nos faz admirar e agradecer a grandiosidade da vida. Não almejar grandes bens materiais e nem muito luxo e sim valorizar a simples respiração e as funções vitais do nosso corpo já nos faz pessoas plenas e felizes.






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